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JEJUM INTERMITENTE

As taxas de sobrepeso e obesidade continuam crescendo no mundo inteiro. Constantemente, buscam-se novas ferramentas para conter esse aumento, já que é uma doença que contribui para o desenvolvimento de diabetes, doenças cardiovasculares, câncer, entre outras.

O tratamento convencional para redução de peso engloba mudança de estilo de vida: mudanças nos hábitos alimentares e prática regular de atividade física. Em alguns casos, é necessário o uso de medicamentos aliados à mudança de estilo de vida. Existem situações, ainda, em que se faz necessária a cirurgia bariátrica.

Primeiramente, acho importante dizer que existem diretrizes (Dietary Reference Intake) que recomendam que o valor energético total (VET) da dieta (aqui, o termo dieta como sinônimo de alimentação) seja dividido em: 45 a 65% de carboidratos, 10 a 35% de proteínas e 20 a 35% de gorduras. A pirâmide alimentar também é um guia que ajuda a orientar o consumo alimentar do dia de acordo com porções e grupos alimentares.  Para a perda de peso, geralmente mantemos as proporções das diretrizes e grupos alimentares da pirâmide e reduzimos o VET da dieta.

Apesar das recomendações, atualmente existem muitos tipos de dieta que prometem reduzir drasticamente o peso, estando ou não dentro dessas diretrizes, sendo ou não comprovadas cientificamente. Dietas hiperprotéicas (Atkins, South Beach, Dukan, entre outras), Dieta da zona (Zone diet), Dieta Ornish, Dieta do tipo sanguíneo, Dieta da USP (que não é realmente da USP), e muitas outras.

Uma abordagem um pouco diferente que vem sendo estudada há alguns anos, mas só agora tem estado mais em evidência, é a restrição calórica intermitente (do inglês: Intermittent Energy Restriction) também conhecida como a dieta do jejum intermitente. O método alterna um período de baixo consumo energético, que é chamado de jejum, com um período de consumo alimentar praticamente normal. Os poucos estudos que avaliaram essa estratégia, variam um pouco quanto ao período de jejum e ao valor energético total dos demais dias. Na maioria, o jejum geralmente fica em torno de 500 a 600 kcal/dia associadas a suplementos polivitamínicos e pode ser realizado em 2 ou 4 dias na semana. Nos demais dias, o consumo pode variar entre 1400 kcal ou não ter restrição calórica.

Alguns benefícios do jejum intermitente foram observados em diversos estudos com animais. Entre eles, prevenção e até reversão de doenças como câncer, doença cardiovascular, diabetes e doenças neuro-degenerativas.

Estudos em humanos mostraram uma melhora na sensibilidade à insulina, pressão arterial, colesterol, triglicérides e redução de peso similar a uma restrição calórica diária de 25% do VET.

Entretanto, a maioria dos estudos avaliou no máximo 18 meses de acompanhamento. Por isso, são necessários estudos de longo prazo para avaliar a segurança e aplicabilidade desse tipo de abordagem na população. Além disso, em um dos estudos, poucos participantes do grupo jejum intermitente pretendiam continuar com a dieta após seis meses de acompanhamento, sugerindo que é um hábito difícil de manter em longo prazo.

Apesar de os resultados iniciais levarem a crer que esse tipo de restrição pode trazer benefícios à saúde humana, devemos lembrar que nós consumimos comida: arroz, feijão, carne, salada e não simplesmente carboidratos, proteínas e gorduras. Hoje falamos muito em comer com prazer e com consciência. Sim, devemos prestar atenção ao tipo de alimentos que consumimos, mas também temos que respeitar os sinais do nosso corpo (fome, saciedade), gostar do que comemos e ficar atentos ao que colocamos no prato. Esse equilíbrio é que irá garantir saúde e peso adequados.  

Não existe uma dieta específica e única para todas as pessoas. Sabemos também que a abordagem de dieta hipocalórica equilibrada não funciona para todos. Cada um tem rotinas, hábitos e preferências diferentes. Eu, como nutricionista, acredito que minha função seja respeitar esses aspectos e ajudar o indivíduo a ter um hábito alimentar saudável dentro da rotina dele e não um hábito que cause sofrimento. Há autores que afirmam que é possível que algumas pessoas se adaptem ao jejum intermitente mais do que a uma dieta hipocalórica equilibrada. Mas isto deve ser analisado caso a caso, afinal, algumas pessoas podem exagerar no consumo do dia sem restrição, apesar de esta situação não ter sido relatada em nenhum dos estudos que avaliaram o jejum intermitente.

Precisamos orientar as pessoas de uma forma que elas possam aderir ao tratamento, ter bons resultados em termos de perda de peso, redução da gordura corporal e melhora de sensibilidade à insulina, pressão arterial, dislipidemias e que consigam manter o tratamento em longo prazo, tudo isso com segurança.

Referências:

Davis CS, Clarke RE, Coulter SN Coulter et. al. Intermittent energy restriction and weight loss: a systematic review. European Journal of Clinical Nutrition 2016;70:292–299.

Mattson MP, Allison DB, Fontana L. et. al. Meal frequency and timing in health and disease. PNAS 2014;111(47):16647-53.

National Academy of Sciences. Institute of Medicine. Food and Nutrition Board. Dietary Reference Intakes for Energy, Carbohydrate. Fiber, Fat, Fatty Acids, Cholesterol, Protein, and Amino Acids (2002/2005). Disponível em: <http://www.nap.edu.>

Redesenho da Pirâmide Alimentar Brasileira para uma alimentação saudável. Philippi ST. Disponível em:

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